Quanto mais transparente, mais valiosa é a empresa

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Em meio à recessão econômica e casos de corrupção no Brasil, o Troféu Transparência completava 20 anos de existência com forte destaque à ética e à reputação

Passados os anos de crescimento do Brasil, os próximos cinco anos, de 2012 a 2016, foram de números ruins e levaram o país à recessão. Em 2012, o crescimento do PIB foi de 0,9%, o pior desde 2009, em 2013 de 2,3% e em 2014 de 0,1%, já em 2015 a economia recuava 3,8% e em 2016 caiu 3,6% pelo segundo ano seguido e confirmou a pior recessão da história do país, essa situação só havia sido verificada no Brasil nos anos de 1930 e 1931, quando os recuos foram de 2,1% e 3,3%, respectivamente, segundo dados divulgados IBGE.

O período ficou conhecido como a grande recessão brasileira, que começou em 2014, mas só foi percebida em 2015 e 2016, agravada pelos escândalos de corrupção investigados na Operação Lava Jato. Entre as causas apontadas para a crise econômica estava, além da crise política, o fim do ciclo de alta dos preços das commodities no mercado externo, que afetou as exportações brasileiras e diminuiu a entrada de capital estrangeiro no país.

Entretanto, a principal causa foi relacionada a questões internas associadas a medidas econômicas que não surtiram os efeitos desejados. O PIB só voltaria a crescer em 2017.

2012

Mercado mais transparente

Em 2012, o Troféu Transparência chegava a 16ª edição celebrando o intenso trabalho desenvolvido e organizado durante meses ininterruptos pelos responsáveis e reconhecidos nomes da contabilidade brasileira que formavam a Comissão Julgadora. Analisar todas as demonstrações financeiras em meio a um cenário econômico caótico não era uma tarefa fácil.

O jantar de premiação era apenas a noite de celebração. Tudo o que estava por trás era o que construía a credibilidade e seriedade da premiação. Ela destacava o que havia de melhor no mercado brasileiro em relação às boas práticas de governança. O grau de qualidade das informações divulgadas era o que traduzia, de forma inquestionável, a postura de cada empresa perante o mercado e aos diferentes públicos.

Era um trabalho de 12 meses por ano que construía o caminho da evolução da transparência. Naquele momento, o nível de reinvindicações da sociedade em questões relacionadas à responsabilidade social e ambiental das empresas, e à transparência, era muito grande. O Troféu Transparência, por sua vez, promovia a elevação do padrão de qualidade das demonstrações contábeis e era de suma importância para o aumento da confiança dos agentes do mercado.

 

O que fazem em suas demonstrações contábeis as empresas ganhadoras?

A resposta a essa pergunta era que as premiadas sofisticaram as demonstrações acompanhando o avanço dos stakeholders, que exigiam maior qualidade de informações ano a ano. O trabalho do prêmio não era ensinar as empresas do mercado, mas sim possibilitar que elas fizessem uma autocrítica.

Seguindo os critérios técnicos dos anos anteriores e alterando o valor do faturamento da categoria Capital aberto, reduzindo a receita líquida para até e acima de R$ 5 bilhões, as ganhadoras em 2012 foram:

Em Capital fechado, Eletrosul, Embasa, Furnas, Refap e Samarco, com destaque para Furnas; em Capital aberto até R$ 5 bilhões, BM&F Bovespa, Copasa, Cosan JSL e Localiza com destaque para a JSL; e em Capital aberto acima de R$ 5 bilhões, Braskem, Cemig, CSN, Embraer, Gerdau, Natura, Petrobras, Sabesp, Usiminas e Vale, com destaque para a Usiminas.

Ao mesmo tempo que em que o Troféu Transparência representava o reconhecimento do valor que se dava à responsabilidade na hora de reportar, era, por si só, um valor agregado que se convertia em resultados futuros. Visto como um selo tradicional, oferecido por instituições respeitadas do mercado, o prêmio era uma conquista com a qual 20 ganhadoras só tinham a ganhar.

Uma conquista comemorada individualmente pelas equipes envolvidas no processo interno de preparação das demonstrações, mas não menos comemorada pelo mercado, que vinha ganhando cada vez mais em transparência na medida em que os esforços para evoluir os reportes nunca cessam.

2013

Um valor chamado transparência

Na edição de número 17, em 2013, se mostrava como o prêmio gerava valor para as companhias ganhadoras em todas as categorias.

Em Capital fechado, Embasa, Energisa Paraíba, Furnas, Petrobras Distribuidora e Samarco; em Capital aberto até R$ 5 bilhões, AES Tietê, BM&F Bovespa, Fibria, JSL e Tractebel; e em Capital aberto acima de R$ 5 bilhões, AES Eletropaulo, Braskem, Cemig, Embraer, Gerdau, GPA, Petrobras, Sabesp, Usiminas e Vale.

O tema de transparência ainda estava presente em vários assuntos em evidência no mercado brasileiro. Inicialmente, se utilizava, para a avaliação das ganhadoras, os balanços recebidos para a edição da revista Melhores e Maiores, que eram enviados pelas empresas ou por meio das publicações realizadas nos jornais e diários oficiais de todo o país.

A partir disso, ocorria a primeira separação daquelas que possuíssem parecer de auditoria limpo. A primeira exigência era que a demonstração houvesse sido publicada com parecer de auditoria sem ressalta. Em uma terceira etapa, fazia-se uma avaliação prévia dos relatórios de administração, que poderia ter três linhas ou quinze páginas. Aquelas que não tinham nenhuma eram eliminadas.

A segunda, também dividida em algumas etapas, era o momento que os alunos do mestrado e doutorada da FEA-USP participavam optando por utilizar um check list ou não. Os balanços eram entregues a esse grupo, que recebia orientação do que ser observado, mas nunca havia interferência dos professores enquanto faziam a análise. Eles recebiam determinada quantidade de balanços, iam para a sala de aula com a avaliação e apresentavam quais eram boas e o porquê. Além de mostrar quais deveriam ser eliminadas e o porquê.

Em um terceiro momento, um aluno pegava o balanço da companhia A e, se o balanço passasse para a segunda etapa, quem o avaliaria não era o mesmo que fez anteriormente. Passando o balanço por essa segunda etapa, a próxima avaliação era feita por um terceiro e, portanto, afunilando-se chegava-se à determinada quantidade de empresas que eram avaliadas pela Comissão Julgadora do prêmio, que determinava a escolha daquelas finalistas nas três categorias.          

Nos 17 anos do Troféu Transparência, essas empresas tiveram suas histórias ligadas ao compromisso com a ética e a transparência. Estar na lista das ganhadoras representava mais do que chegar ao nível mais elevado de qualidade das demonstrações financeiras significava um diferencial capaz de alavancar ainda mais os negócios.

No jantar de premiação daquele ano foram entregues o destaque a Embasa (Capital fechado), a BM&F Bovespa (Capital aberto até R$ 5 bilhões) e a Gerdau (Capital aberto acima de R$ 5 bilhões). O interesse na ética e transparência remete a uma gestão consciente, que leva naturalmente ao foco nos negócios, com consequentes sinais positivos aos investidores, clientes e fornecedores.

Isso tudo foi reforçado com a chegada do Relato Integrado, que teve o 1º framework divulgado em 2013 pelo International Integrated Reporting Council (IIRC), como proposta de um novo modelo de comunicação corporativa que incluiu informações de natureza financeira e não financeira e baseia-se na justificativa de que os valores intangíveis ou goodwill representam a maior parcela do valor de uma companhia, quer sejam refletidos no preço das ações ou em cálculos de valuation.

2014

Uma premiação, múltiplos ganhadores

Um ano depois, em 2014, na realização da 18ª edição do Prêmio ANEFAC-FIPECAFI-SERASA EXPERIAN, se buscou reunir a visão de representantes de diferentes instituições evolvidos nos bastidores das demonstrações financeiras, entre preparadores, reguladores, acadêmicos e especialistas que acompanharam a evolução do mercado no Brasil ao longo do tempo, e mais especificamente, após a convergência às normas internacionais de contabilidade (IFRS).

Como resultado, compilou-se um apanhado de opiniões. Temas como o tratamento dado à informação que podia gerar impacto negativo no resultado das companhias e o esforço para atingir objetividade nas notas explicativas se destacaram naquele ano.

Em especial, a visão crítica dos especialistas, que integravam a Comissão Julgadora, indicava que pouco ou quase nada entre 2013 e 2014 havia evoluído nas demonstrações, refletindo em um alerta.

Entre alguns pontos negativos, avaliados ainda, os que mais chamavam atenção era que as notas explicativas continuavam excessivamente grandes, a falta de referência às questões que estavam presentes na mídia naquele ano e que podiam influenciar a expectativa de fluxos de caixa futuros e a falta de um posicionamento claro quanto aos pronunciamentos do CPC.

A população estava, com todos os problemas que o país vinha tendo, mais atenta e criteriosa. Isso não era diferente entre os investidores, credores e analistas. A falta de transparência tornava-se odiada no mercado. Mas o ano não foi apenas de levantar os pontos negativos, ao longo de 18 anos, era importante reforçar que três empresas se destacaram pela regularidade com que suas demonstrações financeiras foram reconhecidas entre as mais transparentes do Brasil.

Gerdau havia sido eleita destaque em sua categoria por quatro vezes na história do prêmio, enquanto Vale e Embraer foram as que mais vezes receberam o prêmio, 16 vezes cada uma.     

Sendo que, em 2014, a ANEFAC entregou ainda o troféu a mais ganhadoras, um total de 24 empresas, sendo em Capital fechado a Aché, Embasa, Furnas e Gru Airport com o destaque a Furnas; em Capital aberto até R$ 5 bilhões a BM&F Bovespa, Celpe, EDP, Hypermarcas, Localiza, Mahle, Marcopolo, Riachuelo, Taesa e Tractebel, com destaque a essa última; e em Capital aberto acima de R$ 5 bilhões a AES Eletropaulo, Braskem, Cemig, CSN, Embraer, Gerdau, Petrobras, Sabesp, Usiminas e Vale, com destaque a Braskem.

2015

Ano 19, prêmio atinge a maioridade

Depois de ter atingido a maioridade, com algumas reflexões importantes. A edição de número 19 do Prêmio-ANEFAC-FIPECAFI-SERASA EXPERIAN acontecia em meio a um cenário onde a ética era a palavra de ordem da vez.

A transparência em tempos de crise ressaltava um dos ativos mais preciosos das companhias, a sua reputação.  Em períodos como o que o Brasil atravessava não podia faltar transparência. Por mais óbvio que podia parecer, ser transparente era não esconder os pontos negativos e não ressaltar apenas os positivos. Era apresentar os dados, o impacto das ações tomadas e os efeitos colaterais gerados.

Em tempos de crise, a informação era um fator determinante para o sucesso empresarial. Ser transparente era ser um modelo e ter comportamentos dos quais não se envergonhasse. Era muito mais custoso não ser transparente.

Um ambiente caracterizado por uma crise financeira deveria ser a oportunidade que faltava para o completo engajamento das empresas brasileiras à transparência contábil. Os problemas do país levaram a criação do Decreto 8.420 de 2015, responsável por regulamentar a Lei 12.846 de 2013, a Lei Anticorrupção.

São exemplos de aspectos regulamentados pelo decreto, as regras para a celebração dos acordos de leniência; a definição de critérios para o cálculo da multa; e os parâmetros para avaliação de Programas de Compliance.

Com um nível de exigência ainda maior, tendo a transparência como crucial dentro da economia, na edição 2015 do Prêmio ANEFAC-FIPECAFI-SERASA EXPERIAN, 19 empresas foram reconhecidas em três categorias.

Sendo em Capital fechado a Eletrobras Eletrosul, Embasa e Furnas, com destaque à essa última; em Capital aberto com receita líquida até R$ 5 bilhões a BM&F Bovespa, Copasa, EDP, Grendene, Mahle, Riachuelo, Taesa e Tractebel, com destaque à essa última; e em Capital aberto com receita líquida acima de R$ 5 bilhões a AES Eletropaulo, Ambev, Cemig, CSN, Gerdau, Sabesp, Usiminas e Vale, com o destaque à Cemig.

2016

20 anos do Troféu Transparência

2016 chegou trazendo a 20ª edição do Troféu Transparência. Ao longo de duas décadas, a premiação engajou empresas na busca por clareza na divulgação das informações ao mercado. Em 20 anos, o prêmio cultivou o valor da transparência e a importância de ser fiel ao que de fato acontecia na empresa. Isso trazia benefícios como redução do custo de capital, melhoria do crédito, entre outros. Na primeira edição cinco foram finalistas, em 2016, 25 estavam sendo premiadas.

Aquela edição trazia uma novidade relacionada às categorias. A categoria Capital fechado era eliminada, criando-se a categoria Setor de energia. As categorias Capital aberto até R$ 5 bilhões e Capital aberto acima de R$ 5 bilhões foram mantidas.

As mudanças aconteceram por se identificar que, ao longo dos últimos quatro anos, havia uma concentração de empresas do setor elétrico entre as premiadas. O que se justificava porque o setor era bem regulamentado e com um marco regulatório na área contábil muito forte. A criação dessa categoria abriu a possibilidade para que outras fossem reconhecidas.

Ao selecionar as 25 empresas com as demonstrações financeiras mais transparentes, a 20 edição premiava:

Aracruz, Copesul, Embraer, Gerdau e Vale; empresas comerciais: Ipiranga, Ipiranga Distribuidora e Petrobras; e empresas de serviços: CEB, CEEE, CESP, Copel e Sabesp. Com a Embraer recebendo como número 1.

O Troféu Transparência entregava ao mercado a resultante de um processo isento que inicia na academia e termina sob os olhos atentos de corpo de jurados composto por quem mais entendia das práticas contábeis internacionais no mercado brasileiro.

“A evolução do conceito de transparência faz com que ela deixe de ser vista apenas sob a perspectiva financeira ou contábil. O mundo e o mercado amadureceram e há uma crescente consciência sobre a importância das informações não financeiras, que permitam ao investidor acessar uma fotografia verdadeira e completa do seu investimento”, Leonardo Pereira, presidente da CVM à época.           

“Conquistar o prêmio é o reconhecimento do constante trabalho para gerar cada vez mais transparência nas divulgações das demonstrações financeiras ao mercado. Um processo que contribui para aumentar a credibilidade da empresa, permite conquistar novas parcerias e torna o negócio sustentável”, Ellen Cavalcante, gerente de controladoria da Biosev.

“À medida que as empresas ampliam seu exercício de transparência, se adaptam às novas exigências reguladores e vice-versa. As duas premissas caminham juntas porque o aumento das exigências legais relacionadas ao tema está atrelado à crescente demanda da sociedade”, Raul Corrêa, presidente da BDO.

“O compromisso da empresa e o direito da sociedade como motivações andam lado a lado. As normas são essenciais para estabelecer parâmetros que devem ser cumpridos. Além disso, hoje é cada vez mais necessário a empresa não apenas ser correta, mas também se mostrar correta. E transparência é um fator primordial nessa equação”, Pedro Melo, presidente da KPMG à época.

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